Carrão
de diretoria, 300C V6 é destaque da Chrysler

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DE FOTOS
Mesmo sendo um carro de luxo, o sedã 300C possui visual
agressivo
A Chrysler acaba de apresentar à imprensa online a linha
2010 de seus modelos, e as da Dodge e da Jeep, marcas que lhe
pertencem. Foi uma verdadeira maratona, com test-drive de nada
menos que nove versões de sete modelos ao longo de dois
dias, na região de Itu, interior de São Paulo.
Foram
eles: o sedã grande de luxo 300C com motores V6 (novidade
no Brasil) e V8; a minivan de luxo Town&Country, nova denominação
da Grand Caravan; o hatch retrô PT Cruiser (Classic e Limited);
o reformulado Jeep Cherokee Sport; e mais Jeep Grand Cherokee,
Jeep Wrangler e a picape Dodge Ram (cabines simples e dupla).
A
batelada de lançamentos marca a primeira ação
da Chrysler no Brasil após a matriz da empresa passar ao
controle de um fundo de investimentos, deixando a parceria com
a Daimler-Benz e, por aqui, desalojando-se da Mercedes-Benz.
Para
o gosto de UOL Carros, a grande estrela da gama Chrysler é
o sedã 300C com o motor V6 -- por dentro, por fora e sob
o capô. E também pelo seu potencial de mercado. Com
preço R$ 30 mil mais baixo que a versão de motor
maior (R$ 139,9 mil, contra R$ 169 mil), o carro tem tudo para
ser um sucesso de vendas em seu segmento (em 2007, saíram
pouco mais de 330 unidades do 300C V8 das lojas).

O
visual desse carro (praticamente igual nas duas versões,
e levemente reestilizado para 2010) é peculiar: a releitura
das "barcas" de numeral 300 da Chrysler, surgidas a
partir da década de 1950, acaba parecendo uma mistura de
Rolls-Royce com carro mexido de rapper norte-americano. As linhas
-- em geral retas -- parecem que não vão conversar
com a dianteira, de grade e conjunto óptico arredondados.
Mas conversam, e se entendem muito bem.
As
rodonas de aro 18 dão a impressão de que a suspensão
é mais baixa do que realmente é, aumentando a sensação
de agressividade -- de resto, garantida pela linha de cintura
alta (ou seja, há muito aço nas laterais) e, naturalmente,
pelo próprio tamanho do carro: são 5,01 metros de
comprimento.
Todo
mundo olha
Uma coisa é certa: esse visual quase escandaloso não
passa despercebido. Durante o test-drive, as ruas de Itu pararam
para olhar (e admirar) o pequeno comboio formado pelos 300C cedidos
pela Chrysler.
Linha
de cintura do 300C é alta e rodas são aro 18, o
que dá impressão de suspensão rebaixada
UOL Carros pôde experimentar as duas motorizações,
o propulsor HEMI 5.7 V8 de 340 cavalos e o 3.5 V6 de 249 cavalos.
Claro, o motor maior tem mais performance e é mais adequado
para puxar (ou empurrar, já que a tração
é traseira) as quase duas toneladas do 300C, além
de possuir o controle automático de desligamento de metade
dos cilindros nas situações em que o trabalho deles
é supérfluo -- o que, em tese, poderia torná-lo
até mais econômico que a unidade de força
menor. Mas a diferença de um para o outro não vale
os cerca de R$ 30 mil que custa no preço final. O V6 tem
desempenho mais que suficiente.

Ao
dirigir, na maior parte do tempo o motorista sente-se com total
controle do 300C, independentemente da velocidade. Nas curvas
mais fechadas, porém, o peso e as dimensões desse
carrão têm um preço: demora um pouco para
achar o ataque correto ao traçado e evitar que os ângulos
exagerados descritos pelo 300C com a pista não provoquem
ligeiras saídas de frente ou de traseira. E, sem dúvida,
estas são mais desconfortáveis e trabalhosas para
corrigir devido à massa do carro (precisamente, 1.845 kg
no V6). Mas é uma questão de costume.
A
transmissão automática do 300C possui cinco marchas,
o que é louvável, mas não tanto quanto seria
uma de seis. A troca seqüencial é feita deslocando
a alavanca para os lados, e não para cima e para baixo.
Um ponto fraco é que só se volta ao modo Drive (automático)
ao pedir a quinta marcha -- ou seja, não é possível
retornar à troca automática antes de ganhar uma
certa velocidade. A qual, aliás, vem fácil: o V6
vai de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos, e o V8 realiza o mesmo trabalho
em 6,8 segundos. A máxima do primeiro é de 219 km/h,
e a do segundo, limitada eletronicamente em 250 km/h.

Viaje
bem
Quanto aos equipamentos e mimos, não há do que reclamar,
ao contrário. Exemplo: a regulagem de altura e profundidade
do volante é elétrica e pode ser memorizada -- assim
como a dos bancos dianteiros. Os retrovisores têm sistema
de aquecimento; o piloto automático, em alavanca remanescente
da Mercedes-Benz (muito melhor que um comando por botões),
é útil e intuitivo; o ar-condicionado digital dual-zone
tem saídas para os passageiros de trás; e o sistema
de som, com HD de 20 giga e amplificador de 276 watts, entrega
uma qualidade de áudio impecável por meio de seis
alto-falantes.
Os bancos em couro são deliciosos, e o espaço na
cabine, pautado pelo entre-eixos de 3,05 metros, é interminável:
uma pessoa de 1,75 metro pode nem alcançar o fim do assoalho
à frente, e atrás terá espaço para
se esticar à vontade. UOL Carros, aliás, colocou-se
na condição real de muitos usuários do 300C
-- ou seja, viajou no assento (melhor seria dizer no sofá)
traseiro em parte do test-drive. Foi difícil resistir à
tentação de chamar o colega ao volante de "Jarbas".
O bom gosto no acabamento (arrematado pelo relógio analógico
ao centro do painel) e o silêncio no habitáculo completam
o pacote "carro de diretoria". É ideal para ficar
preso no trânsito das grandes cidades...
Quanto
à segurança, o 300C oferece de série o que
a maioria dos carros não têm nem como opcional: freios
ABS (antitravamento), controle de estabilidade, distribuição
eletrônica de frenagem, controle de tração
e e airbags frontais (inclusive para os passageiros de trás)
e laterais.

Agora,
é fato que o politicamente correto passa meio longe do
300C. Dados da agência de certificação veicular
do governo britânico mostram emissões de CO2, gás
que colabora no efeito estufa, de 260 g/km, mais que o dobro do
considerado ideal pelas normas européias (120 g/km). Na
cidade (especialmente numa como São Paulo) o 300C dificilmente
vai conseguir rodar muito mais que 6 km com a queima de um litro
de gasolina, o único combustível aceito pelos dois
motores (isso, no caso do V6; com o V8, roda 5,5 km). E quem mora
em prédio sem estrutura para receber os "emergentes
automotivos" vai comprar briga com os vizinhos, porque é
carro demais para a (quase sempre) curta vaga na garagem.
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