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Que
carro comprar?
Agressividade nas letras
Esportividade na aparência e na assinatura. Corsa SS e Palio
1.8R relembram épocas passadas mais na atitude que no rendimento
Visual agressivo, comportamento nem tanto, é desta forma
que podem ser definidos os dois esportivos nacionais: Palio 1.8R
e Corsa SS. Estes dois hatches compactos que tem cara e jeito
de bravos, porém, não carregam em seu DNA muito
mais que aparência, pequenas modificações
e duas siglas que já fizeram história aqui e lá
fora.
Apesar
de parecer pouco para alguns, atitudes como essas devem ser respeitadas
e aplaudidas, afinal em um mercado praticamente inexplorado pela
indústria automotiva brasileira, Fiat e GM fazem praticamente
a única interferência no que diz respeito à
esportividade em modelos compactos nacionais.
Um
duelo muito mais no visual do que no desempenho. Equipados com
os mesmos motores e rendimentos muito parecidos, o comparativo
toma outro rumo que não o de confrontar números
e segue primeiro em direção aos adereços
estéticos, para depois analisar rendimento de ambos e a
sensação de dirigi-los no dia-a-dia.
Por
fora, mesmo com um número menor de alterações
o Palio leva a melhor e mostra mais agressividade que o Corsa.
O Fiat, disponível em quatro cores: Amarelo Indianápolis,
Vermelho Modena, preto ou prata, recebeu apliques cinzas com o
logotipo 1.8R nas laterais inferiores e na tampa traseira. Além
disso, os retrovisores, aerofólio traseiro, moldura da
grade do radiador, que levam o mesmo tom que os apliques, e rodas
de liga leve. A máscara negra dos faróis talvez
seja o que remeta ao carro mais agressividade.
O
Corsa, por sua vez, recebeu saias e spoilers, lanternas traseiras
escurecidas, retrovisores, maçanetas, “faixas”
no teto, logotipos e um emblema “super sport” na tampa
traseira, todos metalizados. A grade da frente e as rodas, assim
como no 1.8R, foram modificadas com relação ao original.
O SS vem apenas em duas cores, Vermelho Lyra e preto.
Por
dentro a vantagem praticamente se inverte, o modelo da GM carrega
bancos com tecido vermelho vibrante que de longe podem ser vistos.
Mas não é só, o painel de instrumentos recebeu
o logo SS e uma nova tipografia, as costuras de banco também
tem detalhes em vermelho. O Palio optou por uma linha mais discreta,
mas o tom é igualmente vermelho, costuras de banco e coifas
são nesta cor, cintos também e o banco preto tem
pequenos detalhes em vermelho. Mais dois incrementos foram adicionados
ao esportivo: um aplique do logo do 1.8R no painel do carro e
pedaleiras metalizadas com apoios de borracha para garantir a
aderência.
Tudo
isso agrada bastante e relembra bem os modelos esportivos de épocas
anteriores, mas, tanto Fiat quanto GM, com a única opção
de quatro portas, deixam a desejar quando se diz respeito a esse
quesito de esportividade. Vale lembrar que todos os modelos esportivos
anteriores como Fiat 147 Rallye, Uno 1.5R, 1.6R e Turbo, além
dos Chevrolet Corsa GSi, Kadett GS e GSi tinham apenas duas portas.
Bem,
tudo isso é verdade e pode ser que não agrade os
mais radicais, mas também é bem verdade que só
o fato de estar a bordo de um carro diferenciado já é
motivo suficiente para empolgar e, por incrível que pareça,
mudar de comportamento no trânsito.
O
trânsito, por sinal, passa ser um empecilho para vontade
de andar mais forte do que o normal tanto aos que simplesmente
estão andando pela primeira vez, como é o nosso
caso, quanto aos possíveis compradores deste tipo de carro.
Talvez seja por esse motivo que, mesmo não tendo nem uma
alteração mecânica, como é o caso do
SS, ou com pequenas mudanças como no caso do 1.8R, estes
compactos sejam melhor explorados em função da proposta
pseudo-esportiva.
Enquanto
o Corsa SS transmite a sensação de uma suspensão
mais dura e um câmbio mais justo, características
típicas de um esportivo, o Palio 1.8R tem um conjunto mais
suave e confortável, quase familiar. Mas isso pouco quer
dizer sobre os seus verdadeiros comportamentos colocados na prática.
Mesmo que pouco na condução, o modelo da Fiat se
mostra mais rápido e mais esperto que seu concorrente.
Os números de desempenho, (como pode ser visto na tabela
logo abaixo), dão vantagem ao italiano, no entanto, acreditamos
que essa diferença não seja tão facilmente
percebida, só em casos onde os automóveis estão
em seus limites.
O
Palio foi o único que alterou seu conteúdo mecânico,
mesmo assim as mudanças foram poucas. Basicamente o carro
ganhou um suspensão 15% mais dura e 1 um único cv
de potência. Ponto para o Fiat que alterou, mesmo que quase
nada, alguma coisa, enquanto o Corsa praticamente não ganhou
alterações. Tudo isso nos leva a crer que tratam-se
de cordeiros com pele de lobo, e tanto o R do Palio, quanto o
SS do Corsa estão com a esportividade subdimensionada.
R
vs. SS
Letra
por letra, o R do Palio representa muito melhor a sigla usada
no passado pela Fiat do que o SS do Corsa, condiz com os mitológicos
Super Sport da Chevrolet, ou mesmo a história da marca
americana no cenário de carros esportivos nacionais.
Em
uma época que não eram comuns carros importados
rodando para cima e para baixo, versões como 1.5R, 1.6R,
Uno Turbo, Kadett GS e GSi e até mesmo o Corsa GSi que
pouca gente viu, fizeram história sendo as únicas
opções para um público carente por agressividade.
Claro que podemos falar de carros como Puma, Interlagos, Uirapuru,
SP2, entre outros que tinham suas características esportivas,
mas já estavam bastante ultrapassados. Assim foram o final
dos anos 80 e o começo dos 90.
Os
que hoje têm ao menos 30 anos, ainda devem lembrar o quanto
o 1.5R impressionava. Os jovens da época não gostavam
muito de encontrar em um semáforo um Uno desses pronto
para fazer uma graça, afinal outros concorrentes menos
“perigosos” eram mais interessantes do que ter que
enfrentar um carrinho tão arisco quanto o 1.5 ou o 1.6R.
Outro que fez história anos depois, nos pegas urbanos (e
até mesmo nas pistas) foi o Uno Turbo, um verdadeiro “capeta”,
tão duro que dava dó de seus donos, tanta convalescença
que o único sentimento que superava este, era o da inveja
de não ter um.
Do
lado da GM, o Kadett e suas versões GS e principalmente
GSi também foram um “frisson” na época
que foram apresentados. Os balzaquianos devem se lembrar bem dos
GSi brancos “comendo” solto pelas estradas em alta
velocidade. Em 1995, foi a vez da versão apimentada do
Corsa GSi aparecer. Apesar de seu rendimento exemplar, ele chegou
de forma enfraquecida dentro de um mercado que já vivia
seus primeiros anos de abertura nas importações,
o que acabou fazendo com que ele perdesse um pouco do seu brilho.
Antes
que os “Volksmaníacos” me crucifiquem, está
bem, eu lembro, na mesma época já existiam o Gol
GTS e o famoso GTi, e sim, eu também sei que eles tiveram
um valor muito grande dentro da história dos esportivos
nacionais, mas lembrem-se, esse comparativo ainda continua sendo
da GM e da Fiat. Portanto, comportem-se com relação
às mensagens enviadas à redação!
Fiat Palio 1.8R GM Corsa SS
Motor 1.8 Flex 1.8 Flexpower
Disposição dianteiro, transversal dianteiro, transversal
Número de cilindros 4 em linha 4 em linha
Cilindrada 1 796 cm³ 1 796 cm³
Válvulas SOHC, 2 válvulas por cilindro SOHC, 2 válvulas
por cilindro
Alimentação injeção eletrônica
multiponto injeção eletrônica multiponto
Potência 115 cv (álcool) 114 cv (álcool)
Torque 18,0 kgfm (álcool) 17,7 kgfm (álcool)
Consumo urbano 12,2 km/l (gas.), 8,4 km/l (álc.) 11,6 km/l
(gas.), 8,1 km/l (álc.)
Consumo estrada 16,3 km/l (gas.), 11,3 km/l (álc.) 17,4
km/l (gas.), 12 km/l (álc.)
Transmissão Manual de 5 velocidades Manual de 5 velocidades
Suspensão dianteira Independente, McPherson Independente,
McPherson
Suspensão traseira Independente Semi-independente
Freio dianteiro Disco ventilado (ABS opc.) Disco ventilado
Freio traseiro Tambor Tambor
Rodas 14 x 5,5" 14 x 5,5"
Pneus 185/60 185/60
Distância entreeixos 2,37 m 2,49 m
Comprimento 3,83 m 3,82 m
Largura 1,63 m 1,65 m
Altura 1,43 m 1,43 m
Peso 1 073 kg 1 102 kg
Porta-malas 290 litros 260 litros
Tanque de combustível 48 44
Velocidade máxima 191 km/h (álcool) 190 km/h (álcool)
0 a 100 km/h 9s2 (álcool) 10s1 (álcool)
Preço R$ 40 980 R$ 44 228
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