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Carros

Edge evoca imponência de antigos Ford, mas peca em detalhes e no alto preço.
O marketing da Ford no mundo sempre tratou de associar a imagem da marca a veículos robustos. Principalmente "em casa", no mercado norte-americano, com picapes e utilitários esportivos com muitos cavalos sob o capô e, invariavelmente, grandalhões e beberrões. Com a importação do Edge para o Brasil, a Ford tenta resgatar por aqui um pouco desta velha tradição, que hoje ainda resiste com as picapes "raça forte" da marca. Apesar de sua imponência visual remeter a um utilitário esportivo, o Edge é tratado como crossover médio-grande. Ou seja, um jipão com jeito urbano de ser.


Cotado em quase R$ 150 mil, Edge é robusto e traz conforto, mas não fala português

Só que o Edge chegou atrasado à festa. Lançado no "setembro negro" que marcou o início da crise global do ano passado, o modelo estreou no Brasil, de fato, em janeiro. A estratégia de manter o modelo atrelado a um dólar fictício a R$ 1,60, colaborou para manter o preço inicial de R$ 149.700. Assim, o modelo compete, nas cifras, com Hyundai Santa Fé 7 lugares, Mitsubishi Pajero Full HPE 3.8, Nissan Pathfinder SE, Land Rover Discovery S 4.0 V6, cujos preços vão de R$ 135 mil a R$ 170 mil. Mesmo assim, o Edge vendeu apenas 238 unidades nesses dois meses, enquanto a Ford projetava 250 unidades mensais.


ROBUSTO
Se nas vendas o Edge ainda não conseguiu provar sua força, no estilo ele mostra que quer ser um veículo imponente. As dimensões ajudam: são 4,71 m de comprimento, 1,93 m de largura, 1,71 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Tudo moldado pelo Bold Design, estilo da marca adotado no Fusion, de quem o Edge herda a plataforma. Na frente, cortes bem definidos na linha que separa o capô da grade cromada com três barras horizontais e do conjunto ótico com traços majoritariamente retos. Nas laterais, linha de cintura sem curvaturas, saliência diagonal acima das maçanetas e leve caimento da coluna traseira. O vidro de trás é inclinado e a tampa do porta-malas abusa dos vincos.

A robustez ganha eco sob o capô. É lá onde reside o motor em bloco de alumínio com seis cilindros em "V" a 60 graus. São 269 cv a 6.250 rpm e 36,8 kgfm despejados em 4.500 giros pelo propulsor 3.5 nas quatro rodas. Além da tração integral, a unidade de força trabalha com um câmbio automático de seis velocidades.

ACELERADAS
- O Edge é feito na unidade da Ford em Oakville, Ontário, no Canadá, e usa uma plataforma alongada dos sedãs Fusion e Lincoln MKZ.
- Os airbags do crossover utilizam sensores de posicionamento dos assentos e de reconhecimento do peso do passageiro para determinar a intensidade de abertura das bolsas e a retração dos cintos de segurança.
- O único opcional do Edge é o teto solar panorâmico chamado de Vista Roof, que ocupa 70% do teto e faz o preço do modelo ficar em R$ 158.530.
- O Edge é vendido no Brasil com três anos de garantia.
- O utilitário esportivo que a Ford vende atualmente no Brasil é o compacto EcoSport, produzido em Camaçari, na Bahia. Nos anos 90 até o início dos anos 2000, a marca norte-americana importou o SUV Explorer.

CONFORTO
A faceta crossover do Edge, ou seja, sua aptidão para o conforto, fica evidente na lista de equipamentos. E condizente com os quase R$ 150 mil pedidos pelo modelo. Conta com um interessante pacote de conectividade, que reúne display de 6,5 polegadas com tecnologia touch screen. Batizado de Sync, ele é desenvolvido em parceria com a Microsoft. Reúne DVD e rádio/CD/MP3 com disqueteira e entradas auxiliares e USB, além de Bluetooth e memória de 10 Gb onde é possível gravar músicas, vídeos e fotos. Tudo com comando de voz.

Infelizmente, estes comandos não estão disponíveis na língua portuguesa -- só em inglês, espanhol e francês. Pior é o fato de o sistema de navegação ainda não ter mapas de cidades brasileiras -- a Ford diz que não tinha os sistemas prontos quando começou a trazer o veículo, mas garante que vai desenvolver junto com a Microsoft comandos em português e mapeamento brasileiro. Contradições à parte, o Edge ainda conta com ar automático com duas zonas frontais e saídas para o banco traseiro, direção hidráulica, trio elétrico, bancos dianteiros com aquecimento, ajustes elétricos e memória combinada com os retrovisores, volante com regulagens de altura e de profundidade, controle de cruzeiro, computador de bordo, sensor de luminosidade, entre outros.

Na segurança, seis airbags, freios com ABS e EBD, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, retrovisor eletrocrômico, espelhos externos com desembaçador, ajuste de altura dos faróis e sensor de estacionamento traseiro. Há alguns dispositivos interessantes. Como as sete opções de tons para partes do carro: porta-copos, assoalho dianteiro e consoles central e traseiro. Além disso, há os comandos elétricos de abertura e fechamento da tampa do porta-malas e de rebatimento dos assentos traseiros. Não chegam a ser mimos, mas ajudam a associar a antiga imagem de robustez da Ford a uma certa dose da tecnologia contemporânea.

FICHA TÉCNICA
Ford Edge SEL 3.5 V6
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, bloco em alumínio, 3.496 cm³, com seis cilindros em "V" a 60º, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote variável na admissão. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.s airbags do crossover utilizam sensores de posicionamento dos assentos e de reconhecimento do peso do passageiro para determinar a intensidade de abertura das bolsas e a retração dos cintos de segurança.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral controlada eletronicamente. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência: 269 cv a 6.250 rpm.
Torque: 34,6 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 92,5 mm x 86,7 mm. Taxa de compressão: 10.3:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora e subchassi isolado. Traseira independente com braços múltiplos, batentes integrados e links laterais apoiados sobre subchassi e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD.
Carroceria: Crossover com quatro portas e cinco lugares. Com 4,72 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,71 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 2.026 kg, com 487 kg de carga útil.
Porta-malas: 908 litros até o teto/1.970 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque: 76 litros.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O fato de o banco automaticamente chegar para a frente assim que se coloca a chave na ignição já torna o Edge um veículo, no mínimo, atencioso. Um dispositivo simples, mas que deixa o motorista à vontade para encontrar uma posição ideal para dirigir. Até porque o crossover canadense da Ford oferece diversos ajustes elétricos dos bancos, espaço farto para pernas e braços, assentos que parecem abraçar os ocupantes e ergonomia eficiente na maior parte das vezes. Ou seja, a sensação é a de se estar dentro de um sedã confortável.

Ao virar a chave, uma saudação em espanhol causa uma certa estranheza. Estranheza maior é conferir que não há mapas de cidades brasileiras no sistema de navegação nem opções de comandos de voz em português para o moderno e divertido sistema Sync. O jeito é falar com a máquina em inglês, espanhol ou francês, mas tentando disfarçar o sotaque para que o sistema não questione o comando. De qualquer maneira, o dispositivo de entretenimento reúne diversas funções em uma tela de 6,5 polegadas sensível ao toque e funciona como um computador, onde se pode até gravar os CDs que estão no player na memória de 10 Gb do sistema.

Diversão deixada de lado, é hora de ver como o motor V6 3.5 de 269 cv dá conta das mais de duas toneladas de Edge. E é nessa hora que o crossover começa a mostrar suas maiores virtudes: a de ser um veículo imponente mas sempre na mão do condutor. A começar pelas acelerações vigorosas. Basta pisar no pedal para ver o ponteiro do conta-giros subir com vontade e ter respostas imediatas. O zero a 100 km/h foi obtido em 9,8 segundos. Na hora das ultrapassagens, uma boa eficiência. O câmbio automático trabalha bem com o propulsor. Quase não há buracos entre uma marcha e outra e o motor enche rápido. O 60 km/h a 100 km/h em quinta -- com o overdrive desativado -- foi feito em 7,9 s.

O Edge convida a pisar mais e foi possível alcançar a máxima de 180 km/h com a sensação de que o motor V6 tem fôlego para ultrapassar essa marca. Mas, talvez, a Ford tenha optado por limitar essa velocidade final para não comprometer a exemplar "estabilidade eletrônica" do modelo. Mesmo em velocidades exageradas, a comunicação entre rodas e volante se mostra precisa. O mesmo ocorre nas curvas em alta e nas frenagens bruscas. O modelo em nenhum momento sai da trajetória, auxiliado, é claro, por controles de tração e de estabilidade, tração integral, suspensão bem calibrada e freios com ABS e EBD.

Os defeitos acabam por ficar nos detalhes. O isolamento acústico é falho. Mesmo a 100 km/h, os barulhos de rodagens e principalmente do pneu são percebidos dentro do habitáculo. A visualização das informações do computador de bordo não está na tela central do sistema Sync, mas em um display dentro do quadro de instrumentos. Ao mesmo tempo, o comando do computador fica no painel central, quando poderia estar no volante junto com os botões do controle de cruzeiro e do próprio dispositivo Sync. O consumo de gasolina também não agrada: 5,3 km/l em uso 2/3 urbano e o restante na estrada.

 
 

 

 

 


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