
A um custo acessível, o Pontiac Solstice é mais
que um roadster de belas curvas, é um sonho
Raio X
Capacidade porta-malas litros 105
Cilindrada 2400
Potência cv 172
Torque kgfm 23,5
Tração traseira
0 a 100 km/h seg 7,5
APAX 7,6
Velocidade máxima km/h 200
Desde pequeno, sou um completo apaixonado por carros. Filho
de piloto de testes, que também coleciona automóveis
antigos, tive desde que me conheço por gente contato
com a graxa e a ferrugem alucinógena dessas máquinas
maravilhosas. Teria mais de mil histórias para contar
e diversas experiências para provar o tamanho do meu amor
pelos automóveis, mas esses causos não são
importantes no momento. O que importa é falar da minha
nova paixão. Se um dia fiquei chateado ao ver Angelina
Jolie de mãos dadas com o Brad “Chato” Pitt,
essa tristeza passou quando conheci mais uma musa para os meus
sonhos, a bela e formosa Solstice.
Bom,
eu sei que a regra não me permite chamar um carro no
feminino – a não ser a toda poderosa Ferrari –,
mas a Solstice é um desses veículos que encanta
você logo de cara, e esse tipo de atração
só poderia ser descrita por mim dessa maneira: uma musa.
Qualquer outro tipo de adjetivo ou comparativo diminuiria o
que eu senti ao pilotar uma máquina como este Pontiac.
Na
terceira reportagem da série de impressões com
os importados que a GM do Brasil trouxe ao país, vamos
falar deste esportivo que, de certa forma, foi a melhor experiência
do evento.
Andamos
em quatro máquinas dos sonhos no evento realizado pela
montadora, entre elas até um Corvette Z06, mas a Solstice
foi a mais divertida e a mais excitante dentre todas as beldades
apresentadas. Não desmerecendo o Corvette, um carro acima
de qualquer expectativa, mas, dentro do percurso e com as devidas
medidas de segurança, andar com um dos maiores ícones
esportivos americanos nessa situação foi como
passear em um monstro e nem de longe ver o que ele é
capaz de fazer.
Tirando
uma parte do trajeto que é muito ondulada, o circuito
da pista D1 no Campo de Provas da GM em 13 de Maio, interior
de São Paulo, é o cenário que qualquer
apaixonado por curvas e velocidade adoraria andar com um esportivo
como este.
Pequena,
extremamente baixa, conversível, com um bom motor e,
melhor, tração traseira, a Solstice é pura
diversão. Do jeito que eu estou falando parece que ela
não tem defeitos, mas tem sim, como qualquer outra musa.
Porém, exaltar a falta de porta-malas, a suspensão
mais dura ou a pouca sofisticação de seu interior
seria como reclamar da “barriguinha” de Jolie, ou
seja, desnecessário. O propósito deste Pontiac
é ser um carro de fim de semana acessível ao bolso
de um público bem maior do que é comum para os
automóveis esportivos. E isso ela consegue, por US$ 20
000, há fila de espera de mais de seis meses nos Estados
Unidos.
Logo
ao entrar nela, já é possível notar as
diferenças em relação aos carros comuns.
A pergunta que você se faz automaticamente é: Cadê
o fim? Você vai entrando, procura o banco e ele não
chega nunca. Por se tratar de um veículo muito baixo,
com a posição de dirigir junto ao assoalho e a
porta na altura do ombro, a sensação é
de estar encaixado ao veículo, como se piloto e carro
formassem um conjunto.
Com
172 cv, o motor agrada, mas poderia ser um pouquinho mais forte.
Aliás, existe uma versão mais apimentada do carrinho
chamada GXP, com cerca de 260 cv. Mesmo um pouco mais “fraquinho”,
os 172 cv do motor 2.4 l com 23,5 kgfm de torque, em um automóvel
de 1 300 kg, tornam o carro bem arisco, alcançando a
velocidade máxima de 200 km/h e acelerando de 0 a 100
km/h em bons 7s5. O câmbio de 5 marchas, curto e justo,
é perfeito para uma tocada mais agressiva.
Logo
na primeira reta da pista, sentimos como a suspensão
é dura. A comparação com um kart é
exagerada, mas não chega a ser mentirosa. A carroceria
de aço estampado com trilhos de estrutura hidroformados
por toda extensão do carro dão ótima rigidez
torcional. Esse conjunto fez da Solstice um esportivo que não
quer sair do chão por nada desse mundo, a não
ser por sua traseira curta e arisca.
Com
tantos atributos, foi impossível não ir à
loucura na serrinha da pista. Com pé cravado e com um
pouco de experiência com carros leves de tração
traseira (Alfa Romeo Spider 1973), me senti na obrigação
de colocar esta nova musa à prova. Pé em baixo
e a sensação de estar só eu, ela e a pista,
até ignorei a presença de meu chefe ao meu lado.
Virada pra cá, virada pra lá, fui apertando o
passo para ver aonde a Solstice poderia me levar, algumas curvas
mais à frente, o êxtase, uma curva feita de lado
do começo ao fim. Contra-esterçado, corrigindo
aqui e ali, saímos os dois, eu e meu chefe, com o sorriso
no rosto, como vocês podem conferir nas fotos.
Entretento,
como não sou nenhum “Casanova” dos tempos
modernos, também cometo minhas gafes com o galanteio
às mulheres. A Solstice cobrou, mas de forma sutil e
divertida, minha inexperiência com as musas. Duas curvas
depois da manobra descrita anteriormente, com o pé ainda
colado no assoalho, ela mostrou quem é que manda em nossa
relação. De piloto passei a ser passageiro, juntamente
com meu chefe, e acabei rodando na pista. Como quem é
pego aprontando, acabei soltando a frase: “Sim senhora,
você é quem manda!”. A conduzi de forma nobre
e singela pelos poucos metros que faltavam da pista, afinal,
um pouco de cavalheirismo não faz mal a ninguém.