Aprenda
a fazer a manutenção da fachada
Dicas para manter as fachadas de todos os tipos de materiais
sempre bonitas.
A umidade e a radiação solar são os principais
inimigos da conservação da fachada. Em paredes
externas de alvenaria revestidas de tijolo, pedra e madeira,
a água ajuda na proliferação de fungos.
Em contato com o sol e a chuva, o material da parede costuma
dilatar e contrair, ocasionando bolhas na pintura, trincas e
descolamento das cerâmicas. Para evitar esses problemas,
o ideal e conhecer os cuidados dos acabamentos ao encomendar
o projeto da casa. O arquiteto ou o engenheiro poderá
sugerir a melhor solução, considerando fatores
como a poluição e as condições climáticas
– calor, maresia. Aproveite as dicas desta reportagem,
que considera revestimentos aplicados sobre paredes de alvenaria:
madeira, tijolo, pedra, pintura, aço, cerâmica
e concreto. Para escolher sua fachada, inspire-se nas opções
que selecionamos para você.
Madeira:

Instalação:
no projeto, é bom criar artifícios para proteger
o acabamento de infiltrações, como o uso de beirais
largos. Também vale a pena impermeabilizar a alvenaria
com produtos hidrorrepelentes antes de cobri-la de painéis
ou ripados de madeira. Fabíola recomenda atenção
no encaixe das peças, pois a água poderá
passar se houver vãos. Seja qual for a madeira, proteja-a
com impregnantes, como o stain – que aumenta a resistência
contra a umidade e os raios ultravioleta.
Manutenção: vale verificar periodicamente se a
madeira está protegida. Se ela estiver absorvendo água,
é hora de reaplicar o stain. Em casas de praia, isso
tem de ser feito a cada ano.
Tijolo:

Instalação: como se trata de um revestimento rústico,
deve ser colocado sobre paredes niveladas com massa grossa.
Assim como a pedra, os tijolos pedem rejunte de resina epóxi
ou de cimento. Na impermeabilização, opte pelos
hidrofugantes, que penetram sem formar película, ou pelas
resinas acrílicas, capazes de criar uma capa sobre a
superfície e deixá-la com aspecto molhado. “Ao
escolher a resina, prefira as 100% acrílicas, que não
misturam outros componentes”, aconselha o engenheiro Jonas
Silvestre Medeiros, da Inovatec Consultores, de São Paulo.
Manutenção: quando tratados, os tijolos são
facilmente laváveis com mangueira ou vassoura de pelo.
“As máquinas de baixa pressão de água
podem ser usadas desde que o jato (em forma de leque) esteja
a pelo menos 20 cm da fachada”, adverte José Dubena,
da Pedralimp, de São Paulo. O sol forte pode descascar
as peças com resina. Nesse caso, as empresas especializadas
retiram essa proteção e reaplicam o impermeabilizante.
Pedra:

Instalação: a pedra deve ser assentada sobre paredes
revestidas com massa grossa (2,5 mm de espessura), que regulariza
a superfície. Convém adotar argamassa colante
e rejuntar com resina epóxi ou produtos à base
de cimento, que barram a entrada de água. Após
dois dias, é a vez da limpeza pós-obra, feita
por empresas especializadas, que elimina restos de rejunte.
“Usa-se máquina de jato de alta pressão
com uma distância mínima de 30 cm para não
ferir o material”, explica José Dubena, da Pedralimp,
que em alguns casos também recorre a produtos como o
cloro. Depois de secar (dois dias), deve-se recobrir o revestimento
com resinas acrílicas ou hidrofugantes.
Manutenção: a cada ano é bom conferir se
há absorção de água. Em caso afirmativo,
vale repetir o processo de limpeza e de impermeabilização.
“Se surgirem trincas na pedra, é possível
detê-las com resinas”, diz Maria Heloísa
Frascá, do Laboratório de Materiais de Construção,
do IPT. “No caso de rachaduras, melhor trocar a peça”,
completa.
Pintura:

Aplicação: em paredes novas, deve-se esperar a
secagem do reboco (um mês) e deixar a área limpa.
Antes da pintura, convém passar fundo preparador ou selador
para facilitar a absorção da superfície.
Manutenção: a cada um ou dois anos, dependendo
da região, é hora da repintura. Mas primeiro será
preciso lavar a superfície com uma esponja macia e eliminar
o depósito de poluição e chuva ácida.
Em seguida, basta corrigir pequenas imperfeições
com massa corrida e deixar secar (seis horas). Entre cada demão
de tinta, aguarde seis horas.
Aço:

Instalação: com a ajuda de grampos ou de perfis
metálicos, há quem prefira aplicar esse revestimento
direto sobre a alvenaria – em forma de placas ou telhas.
Mas a parede precisa estar rigorosamente uniforme para que as
imperfeições não apareçam. No entanto,
segundo o arquiteto Roberto Inaba, do Centro Brasileiro da Construção
em Aço (CBCA), de São Paulo, esse uso não
é o mais recorrente. “Costuma-se formar um sanduíche
com placas de OSB ou de gesso acartonado, manta isolante e só
depois fechar com as chapas metálicas”, afirma
Roberto.
Manutenção: a durabilidade desse material é
alta, mas varia de acordo com a ação da poluição
e da maresia. Se surgirem pequenas manchas de corrosão,
basta fazer novos banhos nas peças galvânicas ou
de galvalume. Se a extensão do dano for maior, Roberto
aconselha a troca das placas ou a pintura do aço com
fundo preparador ou tinta própria para esse metal.
Cerâmica:

Instalação: segundo a norma técnica, as
paredes devem estar com chapisco e embosso antes do assentamento
de argamassa. O rejunte precisa ser flexível (de cimento
ou de epóxi) para acompanhar o movimento das cerâmicas.
“A versão cimentícia veda melhor a passagem
de água e deixa a parede respirar”, avalia Jonas.
“Isso evita que o vapor gerado pela troca de calor e umidade
com o ambiente externo faça as placas descolarem”,
completa ele.
Manutenção: se mal assentadas, as cerâmicas
podem se destacar ou sofrer eflorescência (formação
de sais de cálcio pela entrada de umidade). “Nesse
caso, consulte as empresas especializadas para avaliar se o
melhor é uma troca pontual ou de uma área maior”,
aconselha Maria Luiza. A limpeza periódica é simples,
realizada com detergente neutro ou produtos recomendados pelo
fabricante.
Concreto:

Aplicação:
no concreto feito in loco, as proporções de cimento,
areia, brita e água que compõem a mistura devem
ser definidas pelo engenheiro de acordo com o projeto. Primeiro,
erguem-se pilares e lajes e depois formam-se as paredes. No
sistema pré-moldado, os painéis servem para sustentar
a estrutura. As duas opções exigem impermeabilização
e o ideal é usar hidrofugantes à base de silanosiloxano.
“Esse composto químico é mais resistente
que o silicone comum, penetra no concreto e não interfere
no seu aspecto natural”, orienta Jonas.
Manutenção: “A limpeza, feita por especialistas,
deve ser periódica a partir do primeiro ano da construção”,
alerta Elza Nakakura, especialista em argamassa da Associação
Brasileira de Cimento Portland (ABCP), de São Paulo.
A lavagem com jato de água pressurizado de cima para
baixo elimina fuligem e fungos. A partir do quinto ano, verifique
a necessidade de reaplicar o hidrofugante.