Culinária
| TOQUE
PICANTE !!! |
 |
Não
dá para imaginar a culinária mexicana e
tailandesa, ou ainda de Minas Gerais e da Bahia sem a
rainha das especiarias. Considerada a mais consumida em
todo o mundo, a pimenta causa lágrimas, realça
o sabor de outros ingredientes e aguça o paladar.
Como diz a banqueteira Neka Barreto, ela tem “cara
de festa”, pois consegue levantar o astral dos convidados. |
Mas
sempre devem ser usadas com moderação. Se consumidas
em excesso, as mais picantes podem prejudicar pessoas com úlceras,
gastrites e hemorróidas. Caso a língua “queime”,
a primeira reação é beber água, porém,
melhor mesmo é comer um pedaço de pão ou
beber algo gorduroso, como iogurte ou leite.

Quando
os portugueses chegaram aqui já encontraram pimentas do
gênero Capsicum, entre elas, a pimenta-do-reino, usada como
conservante para carnes, uma vez que ainda não havia nenhum
processo de refrigeração. “Na verdade trata-se
de um fruto usado nas Américas e no Brasil há muitos
séculos. Os índios brasileiros as usavam frescas
e secas para temperar peixes, ou cruas mesmo, acompanhando as
comidas. Mais tarde, os escravos africanos trouxeram a malagueta
africana, mas não se trata da nossa, o nome foi apenas
emprestado”, afirma o filósofo Ivo Ribeiro de Araújo.
Pesquisador
da cozinha brasileira, Ivo acrescenta que as pimentas ainda foram
usadas como armas de defesa contra os invasores estrangeiros.
Esse fato até nos remete a famosa crendice de que a planta
tem poderes de afastar o mau-olhado.
Atualmente,
apesar de não existir um mapeamento das pimentas mais consumidas
em cada região do país, o filósofo afirma
que elas indicam e revelam aromas e sabores típicos de
cada região. No Sul e Sudeste, por exemplo, predominam
a pimenta americana, a dedo-de-moça, a aroeira vermelha
e a pimenta cambuci. Já no Nordeste a pimenta de bode e
a malagueta são presenças obrigatórias. A
malagueta verde e a vermelha acompanham vatapás e moquecas.
E no Norte, as pimentas da Amazônia, principalmente cumari-do-Pará
e murupi combinam com pratos típicos de peixes de rio.
As
pimentas-de-cheiro são muito usadas na finalização
de pratos e não faltam tanto no Norte quanto na mesa do
nordestino. Nessas duas regiões o clima é favorável
para o cultivo da especiaria, por isso é onde mais se consome,
principalmente a malagueta e a de cheiro. “Nós exportamos
em frutos ou em molhos para o Japão, Estados Unidos, Dinamarca,
Portugal e França”, afirma Marcelo Cury, diretor
da Companhia das Ervas, empresa que chega a produzir 25 mil quilos
por ano.
Em
conserva
As
pimentas ainda podem ser curtidas, ou seja, permanecem em vinagre,
óleo de soja – ou outro tipo de óleo vegetal
– azeite de oliva ou cachaça. E a partir disso é
obtido o seu extrato. “Percebemos que o vinagre de álcool
extrai menos picância e, portanto, preserva mais a cor e
a textura das pimentas”, conclui Ivo.
Essas
conservas de pimenta até se transformam em ótimos
blends, misturas de pimentas brasileiras em garrafas de vidros.
“Nós as combinamos conforme a cor, o aroma, o ardume
e o sabor de cada uma”, explica Marcelo Cury.
Em
pratos
Conforme
Ivo, as pimentas podem ser harmonizadas conforme os alimentos.
O que se deve levar em consideração é o teor
de ardência ou picância, isto é, o fator de
calor que ela provoca, o seu sabor, os ingredientes do seu molho
ou do seu extrato.

Veja
as mais indicadas para as suas receitas:
Pimenta
malagueta: pratos do dia-a-dia ou mais vigorosos, como carne de
porco.
Pimentas-de-cheiro:
carnes brancas (peixes, moquecas, caldeiradas, peixadas, caldinhos).
Cumaris:
peixes de água doce.
Cumaris (verdes e vermelhas): assados, refogados e cozidos de
carnes bovinas e suínas.
Pimenta
biquinho: entradas ou sobremesas
Aroeira
vermelha: combina com queijos cremosos em entradas e molhos para
carnes brancas, até de porco.
Pimenta
dedo-de-moça: fresca em sobremesas e em marinadas. Pode
ser curtida ou em molho para acompanhar pratos com carne.
|