DEZ
COISAS QUE TODAS AS MULHERES SABEM (MESMO SEM SABER)
Muitas
mulheres têm me escrito desde que comecei a escrever Toques
de Alma. Estes e-mails guardam dramas, histórias, emoções,
e as linhas delicadas e belas são pontuadas de reflexões
agudas como espelhos polidos. Nesta troca fui tecendo uma colcha
de retalhos virtual feita de pedacinhos de todas nós.
E é esta paisagem da alma que eu gostaria de compartilhar
hoje com vocês.
1.
Todas as mulheres sabem que no fundo de si mesmas moram muitas
outras figuras femininas. Algumas poderosas, outras frágeis;
algumas velhas, outras bem jovens. Todas adoram falar e falar,
como se o mundo antes de existir, precisasse ser dito.
2.
Todas as mulheres conhecem a dor e nenhuma é estranha
ao sofrimento. Mas, no final, quando a noite se retira solene,
carregando seu véu, a maioria de nós espreguiça
e recebe o dia com generosidade renovada e a mesma velha esperança
sorrindo nos lábios
3.
Todas as mulheres um dia (ou muitos) se sentiram alheias a si
mesmas. E perderam-se num mar de irritação, mau-humor
e impaciência. Exaustas mergulharam num Lexotan, em vários
copos de vinho, num maço inteiro de cigarros, numa banheira
escaldante ou no mais puro desespero. Algumas sucumbiram, só
algumas. Como resultado, todas nós carregamos no coração
o silêncio desta perda. E reconhecemos com reverência
o poder destes abismos.
4. Todas as mulheres, mesmo as muito jovens, sabem que ser mulher
é um desafio. Ou sentem isso no próprio corpo.
E no mínimo desconfiam que vão passar um bocado
de tempo tentando provar coisas para o mundo. Nascer mulher,
em boa parte do planeta, ainda é afirmar-se acima do
destino biológico e apesar das circunstâncias.
5.
Todas as mulheres pensam que sabem amar. Mas o amor insiste
em rir de nós. E desafia nossas desajeitadas tentativas
de dominá-lo ou compreendê-lo. O amor parece um
gato que só vem para o nosso colo quando nós já
cansamos de chamar. Aí, a gente ri e ele ronrona sua
absurda liberdade enquanto recebe nosso afago no pescoço.
Mas que ninguém se iluda, mal a gente se acostuma com
aquele calor macio e peludo e ele pula de volta prá vida.
6.
Nenhuma mulher deseja a felicidade assim de um jeito genérico.
É o encantamento que sentimos quando cumprimos nosso
destino de mulher que nós buscamos acima de tudo. E isto
inclui muitas coisas bobas, como vestidos novos e cores e mais
cores de sapatos, e tantas outras nada bobas, como filhos rechonchudos
e gracinhas e......ele. De preferência, um ele apaixonado,
mas não muito, bonito, mas não muito, inteligente,
mas não muito, apaixonado por crianças, mas não
tanto quanto por nós, e, o toque final: que surja sempre
assim com aquele jeito heróico e descabelado de quem
acabou de matar um dragão, por nós.
7.
Todas as mulheres têm medo. Medo do primeiro beijo, do
primeiro encontro, do primeiro emprego, medo de casar, medo
de não casar, medo do parto, medo da traição,
medo de não conseguir, medo de envelhecer, medo de dizer
sim. A cada instante, nossos medos podem nos fazer trancar os
dentes, afinar o olhar e ousar o salto. Ou podem nos empurrar
encolhidas para dentro de uma caixa de sapatos. Onde ficamos
grudadas, olhando o mundo por um buraquinho...
8.
Todas nós temos um sonho. Nem sempre é um daqueles
sonhos nobres, como o de Martin Luther King, que ansiava por
um mundo no qual os seres humanos fossem iguais em suas múltiplas
e coloridas versões. Não, nossos sonhos muitas
vezes são pequenos como um jardim ou um carinho. Engraçados:
usar toda a poupança para ficar com um bumbum igual ao
da beldade de plantão na TV. Românticos: um cruzeiro
pela Grécia, com um grego lindo e de peito largo, absolutamente
apaixonado por nós. Impossíveis: passar pela vida
sem sofrer por amor.
9.
Todas nós temos uma sombra. Negra e densa. Ora ela aparece
como um sabotador, que mina nossas energias e desmerece nossos
esforços. Ora como uma mulher dura e fria, de palavras
ásperas e julgamento impiedoso. Não importa como
ela venha, você vai reconhecê-la sempre: a sombra
tem o seu rosto. Também é fácil reconhecer
aquelas entre nós que não ousaram olhar de frente
para este rosto transformado. Elas parecem árvores ressequidas
e seus ramos balançam sem alegria. Quem se alimenta dos
frutos murchos destas árvores experimenta seu sabor ressentido
e intolerante. Eventualmente, as tempestades partem ao meio
troncos tão secos. Ninguém sente muita falta delas.
10.
Todas nós sentimos vez por outra uma vontade de parar
de bater as asas na vidraça e aquietar a alma. Esta é
a hora de construir um templo para acolher nosso ser feminino.
Um lugar onde a gente possa ficar só com nossos mistérios,
nossas descobertas e pescar no fundo da alma o encantamento
que vai nos tornar, de novo, tão orgulhosas de nós
mesmas.