| SAMBA
O samba é a própria identidade nacional
brasileira. Desde 1870, o cruzamento de influências
entre o lundu ( origem africana ), a polca, a habanera,
o maxixe e o tango começou a produzir um tipo de
música que tendia ritmicamente para o samba.
Nos fins do século XIX, costumava-se designar como
samba as festas de dança de negros escravos. Foi
nessa época que começaram a se tornar tradicionais
as reuniões nas casas das velhas baianas que haviam
emigrado para o Distrito Federal
E destas festas surgem os maiores talentos musicais da
época: HEITOR DOS PRAZERES, PIXINGUINHA, DONGA,
JOSÉ BARBOSA DA SILVA, JOÃO DA BAIANA e
muitos outros.Surgem novos nomes com os progressos do
rádio e do disco. Além de Ismael Silva,
Nilton Bastos, Armando Marçal surge FRANCISCO ALVES,
como o mais importante cantor da época. Chamado
"O REI DA VOZ ", foi durante duas décadas
uma espécie de Gardel brasileiro. Sua morte num
acidente automobilístico comoveu o país,
nos anos 50.Nos anos 30 surgem nomes como Henrique Foréis
( o Almirante ), Carlos Alberto Braga ( João de
Barro ) e Noel Rosa, um menino com o queixo defeituoso
e que largou da medicina para se tornar um dos maiores
sambistas de todos os tempos. Rádio, música,
samba e violão não eram atividades de gente
decente, daí os apelidos.
Noel de Medeiros Rosa ( 1910 / 1937 ) deixou mais de 250
músicas em somente 7 anos como compositor. Começou
a gravar aos 19 anos e morreu de tuberculose aos 26 anos.
De um encontro entre Noel e Ismael surge uma nova forma
de fazer samba, que misturava o morro e a cidade. Noel
contribuiu para uma estruturação do que
podemos chamar de samba urbano, que influenciaria compositores
como Ary Barroso ( Minas ), Dorival Caymmi ( Bahia ) e
mais tarde Chico Buarque, Paulinho da Viola e Martinho
da Vila.Do Estácio surgem nomes como Ataulfo Alves,
Wilson Batista e Geraldo Pereira.
Dos anos 30 aos anos 50, o samba experimentou outras nuances,com
os nomes de Ary Barroso ( AQUARELA DO BRASIL ) e Dorival
Caymmi e Moreira da Silva com o Samba-de-breque, propositalmente
concebido com alguns "buracos " a serem preenchidos
por um tipo malandro de improviso. A maior parte dos compositores
não gravavam suas próprias músicas,
ficando a cargo de cantos e intérpretes a divulgação
de suas músicas. Temos então nomes como
: MÁRIO REIS, ORLANDO SILVA, SILVIO CALDAS, CYRO
MONTEIRO, ROBERTO SILVA, JAMELÃO, ARACY DE ALMEIDA,
CARMEM MIRANDA E ELISETE CARDOSO.
No final dos anos 50, o samba já surge com uma
nova vertente que é a BOSSA - NOVA . Neste período
a juventude brasileira embarcou em duas viagens: uma na
direção do ROCK e outra na direção
do JAZZ e das preocupações existenciais
e sociais. Nomes como Carlos Lyra e Sergio Ricardo entenderam
que era preciso abrir um canal que ligasse a Bossa Nova
ao samba. Esta ligação já começara
a existir com CARTOLA, um dos fundadores da Mangueira,
a mais tradicional de todas as escolas de samba cariocas.
Com Cartola, outros veteranos, como Nelson Cavaquinho,
voltam à cena.No bar simples, no centro do Rio,
com a boa cozinha de dona Zica, esposa de Cartola e os
sambas de Cartola, surge o ZICARTOLA, espaço que
proporcionou o aparecimento de uma nova geração
de sambistas. Estes aproximaram o samba de acordes dissonantes
e alterados, com sofisticações harmônicas
influenciadas pelo Jazz norte-americano. Surgem nomes
como Paulinho da Viola, Elton Medeiros , Martinho da Vila
e Zé Keti.Em 1964, Armando Costa, Vianninha e Paulo
Pontes reuniram num único palco o espetáculo
OPINIÃO, com a cantora NARA LEÃO, musa da
Bossa Nova, o sambista Zé Keti e o maranhense João
do Vale. Mais tarde Nara foi substituída pela estreante
Maria Bethania ( irmã de Caetano Veloso ).Nos anos
70, em meio a festivais de MPB, os talentos do Zicartola
consolidaram suas carreiras. Novos nomes surgem beneficiados
pela mídia: João Nogueira, Paulo César
Pinheiro, Candeia, Nelson Sargento e Monarco. E novos
intérpretes: Beth Carvalho, Alcione e os já
falecidos Roberto Ribeiro e Clara Nunes.
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